Helena de Troia (Francesca Petrizzo)

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Um navio retorna de uma intensa batalha pelas costas gregas. Uma mulher observa o contorno do Peloponeso na penumbra do crepúsculo. É a jovem Helena, oferecida pelo pai ao conquistador Menelau para garantir a paz e sobrevivência de seu povo. Uma fatídica decisão que seria carregada de tristeza e tragédia, porque Helena começa a buscar nos braços de outros aquilo que lhe fora negado. Numa narrativa lírica e original, esta obra traz a versão de Helena da história lendária que é conhecida em todo o mundo, a disputa que originou a guerra de Troia. De sua infância em Esparta aos anos turbulentos de sua união com Menelau e a fuga com Páris e todas as suas consequências. A vida de uma mulher que estava destinada ao poder, mas era movida à paixão e seu amor provocou uma das guerras mais famosas de todos os tempos. “Helena é meu nome, mas posso ouvi-los me chamando de adúltera nas minhas costas. Eu nasci em Esparta, mas fui embora para Troia, por amor. Eles costumavam dizer que eu era a mulher mais bonita do mundo e viviam julgando o quão pouco ganhei e o quanto perdi depois que fugi, mas eles não estavam lá depois de tudo o que passei. Eu estava.”

Como eu já havia comentado no outro post, estava lendo esse livro, “Helena de Troia – Memórias da mulher mais desejada do mundo”, de Francesca Petrizzo. Não me atrevo a comentar o título original, porque, pelo pouco que lembro de minahs aulas de espanhol (embora a autora seja italiana, lembrei do significado da palavra em espanhol. Sei que existem palavras iguais com significados diferentes, mas não creio que seja o caso), sei que a tradução do título mascarou o sugestivo título original – que, na verdade, explica várias falas de Helena.

Eu esperava algo diferente do livro. Esperava uma Helena mais forte, talvez. E um foco maior no romance com Páris – para os fãs do famoso casal, o livro é uma tristeza. Eu esperava que o livro mudasse aquela pontada que sempre sentia ao ouvir a história de Troia: de que Páris e Helena eram dois inconsequentes, caprichosos, e, principalmente, de que Páris era uma pessoa extremamente infantil.

Páris nem tem muito destaque na história – a não ser que foi quem levou Helena para Tróia. É apenas mais um dos erros da protagonista – que coleciona erros e fantasmas. E, já fazendo uma conversa com o livro anterior (Predestinados), digo que Páris de Francesca se difere muito do Lucas de Josephine. São pessoas completamente diferentes. Páris enoja, enquanto Lucas nos faz suspirar. Helen e Helena também diferem um pouco, talvez por terem levado vidas completamente diferentes.

Helena tinha tudo e nada, ao mesmo tempo. Era a mulher mais bela do mundo, mas que vivia de fantasmas. A decepção era a herança de tamanha beleza. Sempre sonhara com o amor, o que nunca lhe fora permitido viver. Talvez tivesse vivido isso durante alguns anos da guerra, com uma pessoa que, em meu ponto de vista, era inesperada. Contudo, sempre que pensou vivê-lo ou agir por ele, estava errada. Não foi amada por seus pais, seus irmãos, por sua filha e por grande parte de seus amantes, escravos da luxúria masculina. Ela própria era escrava de seus desejos e caprichos.

O maior medo da pequena Helena era ser como sua mãe, Leda. O que percebemos ao longo do livro é que Helena traçou seu destino de maneira a tornar-se como ela: fria e solitária. Até que ela chega em Troia e consegue destruir o mais próximo que teve de uma família, ao lado de Calira, Heitor, Eneias e Cassandra.

Por fim, o que essa Helena mais me passou foi pena. Tive pena porque Helena nunca se deixou amar por completo. Ficou presa a sonhos, fantasmas, e pessoas que só a decpcionavam, porque não queriam nada além de seu corpo. Ficou presa a seus medos. Foi raptada, ainda pequena, por um homem repugnante. Amou uma homem sem nem sequer ver-lhe a face. Entregou-se a um homem que não lutou por ela. Casou-se com um covarde.  Excusou-se a fugir com pai de sua filha. Aceitou fugir com outro covarde, largando sua filha e sendo a desculpa de uma guerra que duraria 10 anos.

Destaques para Cassandra – adoro essa personagem desde que li “Incêndio de Tróia”, da Marion Zimmer Bradley, livro que recomendo – e para o final inesperado. O final de Aquiles foi inesperado e muito bom. E o de Helena… Eu, com minha mania adorável e ler as últimas páginas, tinha imaginado algo muito diferente, porque, sem querer, pulei as páginas finais e acabei lendo o evento anterior. Achava que Helena ficaria com o primeiro (ou segundo) de seus fantasmas – o que não seria tão ruim, já que ela finalmente teria alguma felicidade. Quando vi que estava errada e comecei a ler o capítulo final, desesperei-me por Helena. Não queria que ela tivesse o destino que as primeiras linhas do epílogo prenunciavam. E, quando li as últimas linhas, fiquei: Sim, finalmente você tomou coragem e fez a coisa certa. Foi um desfecho correto para ela.

Terminando, peço desculpas pelos atrasos e falta de posts. Está um pouco complciado conciliar faculdade, estágio, leitura de livros e blog, sem falar em uma vida social, hehe.

E, concluo dizendo que é um livro bom, não maravilhoso. E não recomendo se você quiser algo que a faça suspirar ou simplesmente ficar feliz. A Helena de Francesca foi tudo, menos isso.

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